Em 1527, dois anos após o nascimento do movimento anabatista na Suíça, as pessoas já se perguntavam qual era o seu segredo. Suas interrogações (com as mentes recém-saídas da idade média) as levaram a suspeitar de algo mágico. Em alguma parte no vale do rio Inn, entre as montanhas nevadas da Áustria, começou a circular uma estranha história. As pessoas diziam que os anabatistas tinham um recipiente mágico, um pequeno vaso, cheio de um líquido do qual nem mesmo o diabo tinha pista do que era. Diziam que os anabatistas obrigavam aos seus convertidos a beber desse recipiente. Um pequeno gole do conteúdo era o suficiente para trazer qualquer um debaixo de seu poder. Só um gole e a pessoa se transformava alguém de mente séria em uma pessoa
incapaz de fazer o que fazia antes. Nenhuma quantia de dinheiro e nada do que a vida tinha para oferecer podia a trazer de volta ao que era antes. Uma vez que a pessoa tomava deste líquido, desejava antes a morte do que abandonar as suas crenças estranhas.
Leonardo Schiemer, na prisão, antes de sua decapitação em Rattenberg no rio Inn, tomou um tempo para contestar esta insensata historia em 1527:
Bem, vocês, multidão ímpia, deixem-me dizer-lhes o que é isso. Digamos que vocês tem razão. Digamos que é verdade que todos devemos beber de um pequeno frasco, e que, como vocês dizem, é verdade que nem mesmo o diabo sabe o que está contido nesse frasco. Se vocês tão pouco o sabem, vocês também são diabos… mas se querem saber, eu vou revelar a poção secreta do líquido!
Como Caifás, vocês falam a verdade sem conhece-la. Dizem que qualquer um que toma um trago deste frasco é permanentemente mudado. Que verdade! Porque o líquido no frasco simplesmente consta de um coração morto, moído, esfregado, polido, quebrantado, e pulverizado na morte com o pilão e pregado na cruz… e é o líquido que nosso querido irmão e amigo, Cristo Jesus, bebeu – mesclado com vinagre e fel.
O frasco é o copo que Ele ofereceu aos filhos de Zebedeu. É o que Ele bebeu no jardim. É o que lhe causou o suor tão estremo que até teve que suar gotas de sangue, e até temer e cair em fragilidade, tanto que os anjos tiveram que ministra-lo para levanta-lhe. Verdadeiramente o líquido em si mesmo é um líquido tão amargo que um não pode bebe-lo sem que seus próximos notem que ele tenha sido totalmente mudado!
Qualquer um que bebe um gole deste vaso se transforma em alguém disposto a abandonar todo o que tem… porque o Espírito de Cristo o ensina e lhe revela coisas que nenhum homem pode expressar e que não podem escrever-se sobre papel. Nada sabe quais são essas coisas, salvo aqueles a quem lhes tem sido revelados…*1
Com um coração contrito e uma comunhão com Cristo – Leonard Schiemer contestou a essa néscia história de uma maneira verdadeiramente anabatista.
Os anabaptistas seguiam a Cristo.
Era tão simples que as pessoas não podiam compreender. Era tão fácil de explicar que parecia misterioso.
Cristo chamando - a mim?
Quando o Novo Testamento caiu nas mãos deles no século dezesseis, muitos alemães “ingenuamente” o tomaram como a palavra absoluta e final. Quando ouviam o chamado de Cristo a seus discípulos, “Siga-me,” eles pensaram que a eles lhes concernia. Quando ouviam os mandamentos de Cristo “se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” “Dá a quem te pedir” “Vendei o que tendes, e dai esmolas.” etc. isso é exatamente o que eles fizeram.
Acreditaram que Cristo é Deus em carne humana, ensinando-lhes como viver, e que Deus esperava que vivessem exatamente dessa maneira. Eles acreditavam que ser um discípulo de Cristo significava simplesmente
estudar os ensinamentos deles, colocar em prática, e viver e sofrer as consequências (a cruz) de o seguir. Jamais lhes ocorreu que ao seguir Cristo (levando sua cruz) os levaria a outro lugar mais do que a morte.
Michael Schneider, encarcerado no castelo de Passau, na Baviera, escreveu:
Escutem-me, todos os povos da terra. Escutem-me jovens, anciãos, grandes e pequenos. Se querem ser salvos,
necessitam abandonar o pecado, seguir a Cristo o Senhor, e viver de acordo com a vontade dele. Cristo Jesus veio aqui a terra para ensinar aos homens o caminho correto por onde temos que ir, para ensinar-lhes a voltar-se do pecado, para segui-lo. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
O que almeja Gemeinschaft (comunhão ou comunidade) com Cristo e que quer ter parte no seu reino, necessita fazer o que Cristo fez enquanto estava nessa terra. Aquele que quer reinar com Cristo, deve primeiramente estar disposto a sofrer por causa de seu Nome. O homem que morre com Cristo nesta vida entrará com Ele no reino de seu Pai, no gozo eterno. Mas o homem que não segue a Cristo não será redimido pelo Sangue de Cristo e seus pecados jamais lhe serão perdoados.
Aqueles que tem seus pecados perdoados, não devem viver mais no pecado. Esto é o que Jesu Cristo, nosso Senhor, nos ensina. Aqueles que voltam a cair no pecado, rompem seu pacto com Deus. Maior pena e sofrimento serão seus–e se perderão para sempre.
Não todos os que dizem “Senhor, Senhor” entrarão no reino.
Somente aqueles que guardam seu pacto serão aceitados por Ele. O que confessa a Cristo ante o mundo e se pauta pela verdade até o final, será salvo.
Ajuda-nos, oh, Deus, nosso Senhor, nisto, a que permaneçamos em Cristo – que sempre andemos segundo seus ensinamentos e não pequemos mais, e que sejamos uma honra a seu Nome, agora e para sempre… e durante a eternidade!
Amém.*2
Comunhão com Cristo
Seguir a Cristo, para os anabatistas, incluía algo maior do que obedecer os mandamentos dEle. Era algo maior do que confessa-lo publicamente, ou estar disposto a morrer por Ele. Era conhecer a Cristo, e viver como os primeiros discípulos, em comunhão ou comunidade ou participação ou companheirismo pleno com Ele.
As palavras de Paulo em Filipenses 3:10 estabeleceram distintivamente a meta dos anabaptistas: “ Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte” A palavra grega koinonia, traduzida como “comunhão” e inglês e “participação” em espanhol neste versículo, sempre se traduziu no alemão como “gemeinschaft.”
Para os anabatistas, esta formosa palavra significava tanto a comunhão ou companheirismo espiritual, como a comunidade ou participação de bens também. É a palavra usada em Atos 2:44 e 4:32, para “todas as coisas em comum” (alle Dinge gemein… es war ihnen alles gemein.) É a palavra que hallaron em 1ª João 1:7:”…mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão (Gemeinschaft) uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” É a palavra que eles usavam ao invés de “Igreja”*3 e finalmente, é a palavra que encontraram no credo dos apóstolos em “a comunhão dos santos.” Acerca desta declaração, Pedro Rideman escreveu na cadeias da sua masmorra no castelo de Wolkersdorf, em Hessen, em 1540:
Chegamos a ter parte na graça de Cristo através da fé, como disse Paulo: “habite Cristo em vossos corações pela fé.” Tal fé vem de ouvir o evangelho. Quando ouvimos cuidadosamente o evangelho e nos moldamos conforme ele, chegamos a ter parte na comunhão com Cristo, como pode verificar-se nas palavras de João: “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo,” nosso Senhor que tem nos dado todas as coisas que Ele ouviu e recebeu do seu Pai (1ª João 1:3)
Comunhão ou comunidade é sentencialmente em ter todas as coisas em comum com aqueles com os quais estamos internamente ligados. É não guardar nada para nós mesmos, e sim compartilhar o que temos com outros – como o Pai não guarda nada para si mesmo, senão que parte todo o que tem com o Filho, e como o Filho não guarda nada para si mesmo, senão o que compartilha todo o que tem com o Pai e com aqueles em comunidade com Ele.
Aqueles que estão em comunidade com Cristo seguem seu exemplo e não guardam nada para si mesmos. Possuem todas as cosas em comum com seu Mestre, e com aqueles que pertencem a sua comunidade, para que sejam um com o Filho, como o Filho é um com o Pai (João 16:13-15)
Isto é chamado de a “comunidade dos santos” (no credo dos apóstolos) porque temos em comum as coisas santas:
As coisas por meio das quais somos feitos santos no Pai e no Filho. O Filho nos faz santos através do que nos dá. Desta maneira, tudo serve para o beneficio e para a edificação mútua, e para o louvor e glória de Deus.*4
A comunhão com Cristo assim como comunhão terrena entre os homens, só se consegue pagando um custo alto e através de uma contínua luta. Mas é um dom de Deus. Devemos lutar por
ela sempre de novo e de novo. Mas é o único caminho para a paz.
Para os anabatistas, a comunhão com Cristo era mais custosa do que com suas esposa, filhos ou pais ... era digno de terror o vôo e tortura. A glória da comunhão ou comunidade Cristo, o "Gemeinschaft de compartilhar seu sofrimento" aceso, luz banhado a masmorra mais profunda. Ela brilhava com fulgor acima de outro as chamas de Scheiterhaufen (A pilha de lenha, onde os condenados foram queimados na estaca.) Foi a luz que eles viram os céus abertos e permitiu-lhes ver ali, quase na ponta dos dedos, a alegria inefável e indizível de comunhão eterna no novo céu e da nova terra, onde justiça habita.
Comunhão com Cristo, os anabatistas, foi a promessa o reino dos céus. Um anabatista alemão escreveu metade sul 1500:
Oh, Deus, o Pai, que estais no trono de Deus, tem
uma coroa preparado para nós, se permanecer em
seu Filho, se sofremos com Ele a cruz e a dor, se entregarmos
-Lo nesta vida, e se nós lutamos continuamente por
digite sua comunidade. Você nos diz o que precisamos
ou seja, através de seu Filho, se tivermos comunidade
(Ou comunhão) com o ...
Você deu a seu Filho amado para ser nossa Cabeça.
Ele nos marcou o caminho que devemos tomar, para que não
perdemos nosso caminho e nos encontramos fora desta comunidade ...